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O desemprego, esse bicho malvado

por Melissa Lopes, em 01.04.15

Segunda-feira, 30 de Março, as notícias davam conta de um aumento do desemprego. Nada de novo. Nesse mesmo dia, pelas 9h00 reuníam-se no Centro de Emprego e Formação da Av. 5 de Outubro um grupo de jovens, eu incluída. Todos com uma carta na mão. Dava para perceber que vínhamos todos para o mesmo assunto.

Qual era o assunto: divulgação da abertura de concursos na Marinha, para as mais diversas áreas. Tínhamos todos, naturalmente, menos de 30 anos. Éramos todos licenciados. Mais, quase todos mestres. E todos com o mesmo problema: o desemprego, esse bicho malvado que não nos deixa andar. Éramos mais de duas mãos cheias de gente. Dessas duas mãos, apenas dois rapazes - um já tinha um estágio IEFP aprovado (portanto escusavam de o ter convocado) e o outro vai, mais dia menos dia, mandar-se lá para fora. Mas este é dos que vai voltar. Vai só uns meses. Outros há que querem ir-se embora de vez.  Mas porquê? Com os 30 anos não tão distantes assim, ainda não conseguir ter autonomia e dependência financeira é algo que nos está a "impedir" de viver no nosso país. Eu resisto. Não sei por quanto tempo. Outros já atingiram o limite. É pena que tenha de ser assim. 

E os estágios IEFP? Não consegues um? Perguntam vocês. Podemos todos conseguir mas não é  uma coisa imediata e muito menos duradoura. É no mínimo procupante quando a única esperança da nossa geração são os estágios IEFP - uma medida cheia de trafulhices, que visa fazer-nos crer que o desemprego está a diminuir. Estaria a diminuir se, passado o tempo do estágio, o jovem (que já não é assim tão jovem para ter de andar nesta corda bamba) permanecesse na empresa e/ou se a empresa não tivesse despedido um funcionário para "contratar" um estagiário quase a custo zero. Ter filhos, casa e carro é, para a nossa geração, algo praticamente inatíngivel. Que tristeza. 

Na sala estavam muitas arquitectas, uma farmacêutica que tinha sido despedida e substituída por um estagiário, uma jurista, uma mestre em Línguas e Cultruras (algo do género), um engenheiro informático e um bioquímico. Estranhei o facto de não estarem lá mais jornalistas. Era eu e mais uma rapariga mestre em Comunicação (que já tinha também o processo do estágio IEFP a andar).

Quanto ao concurso na Marinha, acho muita piada terem-nos convocado para nos informar do concurso que saiu em Diário da República no dia 17 e que nos dá apenas 10 dias úteis para enviarmos a candidatura, juntamente com um registo criminal e um raio x ao tórax. Ora, esses 10 dias úteis terminavam na própria segunda-feira. 

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publicado às 10:18


2 comentários

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De marta-omeucanto a 01.04.2015 às 11:07

Isto faz-me lembrar dos tempos em que andava à procura do primeiro emprego. Convocavam também várias pessoas para a mesma vaga, e depois era ver-nos sair de lá e correr para a empresa, a ver quem chegava primeiro e conseguia o trabalho.
O problema era existir esse trabalho!
Ou a vaga já tinha sido preenchida e não estavam a precisar de mais ninguém, ou nem sequer tinham conhecimento de nada!
Aconteceu-me a mim, quando fui recambiada para uma perfumaria. Mas, como até era a época natalícia, fiquei lá nesse resto de dia a fazer embrulhos!
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De Melissa Lopes a 01.04.2015 às 11:19

Há até casos de anúncios de empresas que são um embuste. Não existem. Como é que a informação passa até ao Centro de Emprego como se fosse verdadeira é que me faz espécie. Aconteceu a uma das raparigas que lá estava.

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